Palmeira resistente ao inverno: quais aguentam geada e como proteger
A palmeira resistente ao inverno mais fácil de achar é a palmeira-moinho-de-vento, que aguenta cerca de −12 °C depois de adulta. Veja até quantos graus cada espécie resiste, como proteger o vaso e a planta no chão e o que fazer se a geada queimou as folhas.
A palmeira resistente ao inverno mais fácil de achar à venda é a palmeira-moinho-de-vento (Trachycarpus fortunei), de folha em leque e tronco coberto de fibra marrom. Depois de adulta e bem enraizada, ela aguenta cerca de −12 °C (10 °F). A palmeira-agulha (Rhapidophyllum hystrix) aguenta ainda mais, mas é rara no comércio. Coqueiro, areca e palmeira-imperial sofrem dano antes mesmo de a temperatura chegar a 0 °C.
No Brasil, a pergunta pesa para quem mora no Sul ou nas serras, onde há geada entre junho e agosto, e para quem tem palmeira numa varanda fria. Duas palmeiras nativas daqui aguentam geada: o butiá e o jerivá.
Resumo rápido:
Para região de geada, escolha palmeira-moinho-de-vento, palmeira-agulha, butiá ou palmeira-anã-mediterrânea.
O limite de temperatura vale para planta adulta, plantada no chão há alguns anos. Muda nova e planta de vaso aguentam menos.
No vaso, a raiz congela antes das folhas. Tire o vaso do piso, encoste-o numa parede e envolva o vaso, não só a copa.
Manta de proteção só nas noites de geada, sem encostar nas folhas e presa até o chão. Tire de dia.
Se a geada queimou a palmeira, não corte nada até o frio acabar. Puxe de leve a folha nova do centro: se ela ficar firme, a palmeira está viva.

Qual palmeira aguenta o inverno
Palmeira resistente ao inverno é a espécie que, depois de adulta, passa por geada abaixo de −5 °C sem morrer. Quase todas vêm de montanha, de campo aberto ou de região seca, e não de floresta tropical. A palmeira-moinho-de-vento, das montanhas da China, é a mais plantada em países frios.
A tabela usa uma única fonte, para os números serem comparáveis entre si. É a lista de palmeiras para o norte da Flórida da Universidade da Flórida (UF/IFAS), que dá a temperatura mais baixa indicada para cada espécie plantada no chão (Palms for North Florida, UF/IFAS). Onde outra fonte séria dá um número diferente, ele aparece na última coluna.
Palmeira | Como reconhecer | Até quanto aguenta (UF/IFAS) | Outras fontes e observações |
|---|---|---|---|
Palmeira-agulha (Rhapidophyllum hystrix) | touceira baixa, sem tronco alto, espinhos compridos no centro | −15 °C (5 °F) | quase não se vende no Brasil |
Sabal minor | folha em leque, sem tronco aparente, até 2 m | −15 °C (5 °F) | rara no Brasil |
Palmeira-moinho-de-vento (Trachycarpus fortunei) | folha em leque, tronco fino coberto de fibra marrom | −12 °C (10 °F) | o Jardim Botânico do Missouri dá a mesma marca para planta adulta, "às vezes mais frio" |
Trachycarpus wagnerianus | igual à anterior, com folhas menores e mais duras | −11 °C (13 °F) | aguenta melhor o vento |
Washingtonia filifera | folha em leque com fios brancos pendurados, tronco grosso | −11 °C (12 °F) | precisa de terra que escoa bem |
Butiá (Butia odorata) | folha de pena azulada, curvada para baixo | −10 °C (14 °F) | a mesma universidade dá −12 °C (10 °F) em outra publicação |
Palmeira-do-chile (Jubaea chilensis) | tronco muito grosso e liso, folha de pena | −10 °C (14 °F) | registros de −16 °C e −22 °C na França |
Butiá-da-serra (Butia eriospatha) | folha de pena azulada, base das folhas com pelos marrons | −9 °C (15 °F) | nativo dos planaltos do Sul do Brasil |
Palmeira-anã-mediterrânea (Chamaerops humilis) | folha em leque, vários troncos baixos, espinhos no cabo | −9 °C (16 °F) | a forma azulada aguenta menos que a verde |
Tamareira-das-canárias (Phoenix canariensis) | folha de pena verde-escura, tronco grosso | −7 °C (19 °F) | evite terra que encharca |
Washingtonia robusta | folha em leque, tronco alto e fino | −6 °C (22 °F) | a menos resistente das duas Washingtonia |
Jerivá (Syagrus romanzoffiana) | folha de pena verde, cachos de coquinhos laranja | −5 °C (23 °F) | nasce sozinho em cidades do Sul que já registraram −10,4 °C |
A última coluna tem três fontes além da tabela. O Jardim Botânico do Missouri diz que a palmeira-moinho-de-vento adulta costuma sobreviver a −12 °C e às vezes a menos. A publicação da UF/IFAS sobre o butiá dá −12 °C e explica que o nome certo dessa palmeira é Butia odorata, e não Butia capitata, como a lista de palmeiras da UF/IFAS ainda chama. O Trees and Shrubs Online, obra de referência da International Dendrology Society, registra a palmeira-do-chile viva depois de −16 °C na França e de −22 °C em Perpignan, na França, em 1956.
Para o jerivá, o dado brasileiro é da Embrapa Florestas. A espécie ocorre naturalmente até em Caçador (SC), onde a temperatura mínima registrada foi −10,4 °C, e em regiões com até 57 geadas por ano (Jerivá, Espécies Arbóreas Brasileiras, Embrapa). Isso descreve o clima onde o jerivá nasce, e não o limite de uma muda comprada. Por isso a tabela fica com os −5 °C da UF/IFAS, o número mais seguro para a planta.
Seis dessas palmeiras têm ficha de cuidados própria:
Por que cada fonte dá um número diferente para a mesma palmeira
A palmeira-moinho-de-vento aparece com −12 °C, −15 °C e até −18 °C conforme quem escreve. A UF/IFAS lista o que muda o resultado: idade, altura e saúde da planta, além do vento. Pesam também a umidade do ar, a duração da geada e o abrigo do lugar (Cold-Hardy Palms, UF/IFAS Gardening Solutions). Palmeira fraca, sem adubo ou com folhas demais cortadas sofre mais com a mesma temperatura.
Três fatores pesam mais:
Aclimatação. A palmeira que esfria aos poucos, ao longo de semanas, aguenta bem mais que a que passa de uma noite quente para uma fria. A extensão da Flórida mostra isso até em palmeira tropical: acostumada a noites de 21 °C, ela pode queimar numa noite de 7 °C (Cold Damage on Palms, UF/IFAS).
Tipo de geada. Em noite limpa e sem vento, a folha perde calor para o céu e pode ficar abaixo de 0 °C com o ar alguns graus acima. Nessa geada, o dano sai salpicado: uma folha queima e a vizinha não. Na onda de frio com vento, a planta inteira esfria por igual.
Vaso ou chão. A terra do jardim quase nunca congela. A terra de um vaso pequeno pode ficar congelada por várias horas seguidas (Cold Protection of Landscape Plants, UF/IFAS). Por isso a mesma espécie aguenta menos no vaso.
Os números da tabela valem para palmeira adulta, plantada no chão, numa geada de poucas horas. Muda nova, planta recém-plantada e palmeira de vaso ficam alguns graus acima desse limite.
Palmeiras que não aguentam frio
As palmeiras tropicais sofrem dano antes de a temperatura chegar a 0 °C. Segundo a UF/IFAS, esse dano por frio sem congelamento aparece em espécies tropicais até com 10 °C (Cold Damage on Palms, UF/IFAS). Coqueiro, areca, palmeira-imperial e a maioria das palmeiras de interior entram nesse grupo. A areca, por exemplo, vai melhor onde a mínima média do ano fica entre 2 °C e 4 °C (35 °F a 40 °F), segundo a ficha da UF/IFAS.
Três plantas vendidas como "palmeira" não são palmeiras. A cica (Cycas revoluta) é de outro grupo de plantas e é muito tóxica para cães e gatos. A pata-de-elefante (Beaucarnea recurvata) e a iúca (Yucca) são parentes do agave. Nenhuma das três segue a tabela acima.
No Brasil, quem precisa proteger a palmeira no inverno
No Brasil, a geada acontece no Sul e nas serras, entre junho e agosto. Quem mora nessas regiões precisa escolher a espécie pela tabela e preparar a proteção antes da primeira geada do ano. As nativas do Sul já vêm prontas: o butiá, o butiá-da-serra e o jerivá crescem sozinhos em lugares com geada todo ano.
Nas regiões sem geada, o inverno muda outra coisa na palmeira de vaso. Com menos luz e menos calor, a terra do vaso demora mais para secar, e manter a rega do verão encharca a raiz. O mesmo vale para outras plantas de varanda, como o eucalipto resistente ao inverno, que também sofre primeiro pela raiz no vaso frio.
Palmeira em vaso no inverno: como proteger
A palmeira em vaso sofre antes da mesma palmeira no chão, porque a raiz congela primeiro. A proteção começa pelo vaso:
Encoste o vaso numa parede da casa, longe do vento. A parede devolve à noite o calor que guardou de dia.
Tire o vaso do piso frio: apoie numa tábua de madeira ou numa placa de isopor.
Envolva o vaso com manta de juta, papelão ou plástico-bolha, e cubra a terra com 5 cm de casca de pinus ou folhas secas.
Se tiver mais de um vaso, junte todos antes da geada. A UF/IFAS recomenda isso para diminuir a perda de calor pelas laterais dos vasos (Cold Protection of Landscape Plants, UF/IFAS).
Vaso que cabe dentro de casa entra antes da noite de geada e volta para fora quando o frio passar. Deixe num lugar claro e sem aquecedor perto.
A rega no inverno tem conselhos opostos. Um lado manda manter a terra úmida o inverno inteiro, e o outro manda regar pouco. A UF/IFAS explica que terra úmida guarda mais calor do sol e devolve esse calor à noite, por isso regar antes de uma geada protege a planta (Cold Protection of Landscape Plants, UF/IFAS). Siga as duas coisas, cada uma no seu momento. Regue na véspera da geada se a terra estiver seca; no resto do inverno, regue só quando os 3 cm de cima secarem. Terra encharcada por semanas apodrece a raiz fria.
Palmeira plantada no chão: como proteger da geada
A palmeira adulta, plantada no chão há alguns anos, não precisa de proteção enquanto a previsão ficar acima do limite da espécie na tabela. Muda nova e palmeira plantada há menos de 2 invernos precisam, porque aguentam menos frio.
Para proteger a palmeira no chão:
Cubra o chão em volta do tronco com 10 cm de casca de pinus, palha ou folhas secas. A cobertura segura o calor da terra e protege a raiz.
Junte as folhas para cima e amarre com barbante sem apertar. Assim o centro da palmeira, de onde saem as folhas novas, fica protegido.
Na noite de geada forte, cubra a copa com manta de proteção de plantas (o tecido branco fino chamado TNT, vendido em loja de jardinagem), lençol ou cobertor velho. A manta precisa descer até o chão e ser presa com pedras.
De manhã, com sol, tire a manta ou abra a lateral.
Embrulhar a palmeira dá mofo?
Não encontramos nenhum estudo que tenha medido mofo em palmeira embrulhada para o inverno. O risco que a UF/IFAS aponta é outro: manta encostada na folha machuca a folha, e plástico fechado no sol aquece e abafa a planta (Cold Protection of Landscape Plants, UF/IFAS). A opção mais segura é usar manta de tecido, que deixa o ar passar, só nas noites de geada. Nunca embrulhe a palmeira em plástico por semanas seguidas.
A geada queimou a palmeira: dá para salvar?
Na maioria das vezes, dá. O que decide é o centro da palmeira, de onde nascem as folhas novas, e não as folhas marrons. Segundo a UF/IFAS, o cabo das folhas e o ponto de crescimento são as partes que mais aguentam frio (Cold Damage on Palms, UF/IFAS).
Faça assim, nesta ordem:
Não corte nenhuma folha até o frio do ano acabar. Mesmo seca, a folha morta protege o centro da palmeira da próxima geada.
Puxe de leve a folha nova do centro, aquela ainda fechada em ponta. Se ela ficar firme, a base dela está viva, e o ponto de crescimento, mais resistente que ela, também está.
Se a folha do centro sair na mão, retire-a para o ar circular e o centro secar. A UF/IFAS diz que regar o centro com fungicida à base de cobre pode ajudar, mas avisa que isso nunca foi testado. Use só produto vendido como fungicida, nunca sulfato de cobre, que queima a palmeira.
Quando o calor voltar e a palmeira brotar, corte só as folhas totalmente marrons. Folha com qualquer parte verde fica, porque ainda alimenta a planta.

As primeiras folhas depois da geada podem nascer com a ponta cortada ou com um trecho seco no meio. A UF/IFAS explica que essas folhas já estavam formadas dentro da planta na hora da geada, e que as seguintes costumam sair normais.
O dano pode demorar a aparecer no tronco. No jerivá, a UF/IFAS registrou tronco que apodreceu por dentro e só mostrou o problema pelo menos 2 anos depois da geada, às vezes mais. Se a copa murchar de repente no primeiro calor depois de um inverno forte, o tronco foi afetado e a palmeira não se recupera.
Se você não sabe qual palmeira tem, porque herdou a planta ou perdeu a etiqueta, identifique a espécie antes de decidir. O limite de frio varia muito entre as espécies da tabela. O app Bloom (iOS) identifica a planta por uma foto da folha. Para sintomas que não batem com geada, use a triagem de sintomas por parte da planta.
Pontas marrons na palmeira da varanda
Ponta de folha marrom não mata a palmeira. O que decide se a planta está bem é a folha nova do centro: se ela sai verde e firme, a palmeira está viva. As pontas marrons no inverno têm duas causas comuns, e a posição da folha separa uma da outra.
Ressecamento pelo vento frio. Vento seco e sol tiram da folha mais água do que a raiz fria consegue repor (Cold Protection of Landscape Plants, UF/IFAS). As pontas secam em folhas de todas as idades, mais no lado do vento. Mude o vaso para perto da parede.
Falta de potássio. As pontas secam primeiro nas folhas mais velhas, as de baixo, e o dano é mais forte na ponta da folha (Cold Damage on Palms, UF/IFAS). Adube com adubo para palmeira na primavera, quando a planta volta a crescer.
Regar mais não resolve nenhuma das duas causas. Corte só a parte marrom com tesoura limpa, sem entrar no verde.
Palmeira de interior no inverno
As palmeiras de interior são tropicais: areca, ráfis, camedórea, kentia e palmeira-fênix. Plantadas no chão, na Flórida, ráfis, camedórea, kentia e palmeira-fênix aguentam só de −4 °C a −6 °C, segundo a tabela da UF/IFAS. A areca nem entra na tabela, e todas sofrem dano por frio abaixo de 10 °C. Dentro de casa, no Brasil, o inverno muda a luz e a rega.
Leve o vaso para perto da janela mais clara da casa.
Regue só quando os 3 cm de cima da terra secarem. No inverno isso demora mais que no verão.
Não adube durante o inverno.
Afaste o vaso de portas abertas. À noite, afaste-o também da corrente de vento frio da janela.
Com menos luz, a palmeira gasta menos água, e a rega do verão passa a encharcar a raiz, como acontece com as suculentas no inverno.
Palmeira é tóxica para cães e gatos?
A ASPCA, centro de controle de intoxicação animal dos Estados Unidos, lista a palmeira-moinho-de-vento como não tóxica para cães e gatos. A cica, vendida como "palmeira-sagu", é tóxica para cães, gatos e cavalos.
Perguntas frequentes
Qual palmeira é mais resistente ao frio?
Entre as vendidas no comércio, a palmeira-moinho-de-vento (Trachycarpus fortunei) é a mais resistente: aguenta cerca de −12 °C depois de adulta, segundo a UF/IFAS. A palmeira-agulha e a Sabal minor aguentam −15 °C, mas são raras no Brasil. Entre as nativas do Sul, o butiá aguenta de −10 °C a −12 °C.
Posso deixar a palmeira do lado de fora no inverno?
Pode, se a mínima da sua cidade ficar acima do limite da espécie na tabela e a palmeira estiver plantada no chão há alguns anos. Palmeira em vaso aguenta menos, porque a raiz congela antes. Em região de geada, encoste o vaso numa parede, tire-o do piso e envolva o vaso nas noites mais frias.
Qual palmeira fica pequena e aguenta frio?
A palmeira-anã-mediterrânea (Chamaerops humilis) e a Sabal minor ficam baixas e aguentam geada: −9 °C e −15 °C, segundo a UF/IFAS. A palmeira-agulha forma uma touceira de até 1,5 m e aguenta −15 °C. A Trachycarpus wagnerianus é uma versão menor da moinho-de-vento, com limite de −11 °C.
Qual palmeira aguenta temperatura abaixo de zero?
Todas as da tabela aguentam temperatura negativa depois de adultas: do jerivá, com −5 °C, à palmeira-agulha, com −15 °C, segundo a UF/IFAS. Coqueiro, areca, palmeira-imperial e as palmeiras de interior não aguentam. Essas sofrem dano por frio abaixo de 10 °C, antes mesmo de gear.
Devo regar a palmeira antes da geada?
Sim, se a terra estiver seca. A UF/IFAS explica que terra úmida guarda o calor do sol durante o dia e o devolve à noite, o que protege a planta. Regue na véspera, pela manhã. No resto do inverno, regue só quando os 3 cm de cima secarem, porque terra encharcada apodrece a raiz fria.
O que fazer antes da próxima geada
Confira a previsão da mínima da sua cidade e compare com o limite da sua palmeira na tabela. Se a previsão chegar perto do limite, junte e amarre as folhas, cubra o chão em volta do tronco e prepare a manta para a noite. Se a palmeira está em vaso, encoste o vaso na parede e tire-o do piso ainda hoje.
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