Adubo para palmeira: a proporção certa no vaso e no jardim
Adubo para palmeira de jardim leva mais potássio que nitrogênio, com magnésio e liberação lenta, espalhado sob a copa inteira a cada 3 meses. No vaso a conta é outra. Veja a fórmula, a dose, o que a folha diz e quando não adubar.
O adubo para palmeira de jardim tem mais potássio que nitrogênio, leva magnésio e solta os nutrientes devagar. A fórmula que a Universidade da Flórida (UF/IFAS) testou é 8-2-12 mais 4% de magnésio. Aplique esse adubo a cada 3 meses, espalhado por toda a área sob a copa. Palmeira de vaso segue outra conta: ali o nutriente que mais falta é o nitrogênio, e adubo demais queima a ponta das folhas.
Este guia vale para as palmeiras de vaso mais vendidas no Brasil: areca, ráfis, camedórea, kentia e fênix-anã. Vale também para as de quintal, como o coqueiro e a palmeira-imperial. Cada uma aparece com o nome científico na primeira vez que o texto fala dela.
Resumo rápido:
No jardim, potássio acima do nitrogênio. Adubo rico em nitrogênio força a palmeira a crescer sem potássio e magnésio suficientes, e isso provoca a falta dos dois.
No vaso, a falta mais comum é de nitrogênio. Falta de potássio é pouco comum em vaso. Use adubo de liberação lenta na dose do rótulo, só na primavera e no verão.
Espalhe o adubo sob a copa inteira. Adubo em espeto, em cova ou num círculo colado ao tronco chega a menos raízes e queima mais.
Ponta seca em folha velha de palmeira de vaso costuma ser sal de adubo. Lave a terra do vaso antes de pensar em adubar de novo.
Não corte as folhas de baixo amareladas. Na palmeira com falta de potássio, tirar essas folhas acelera o declínio.
Qual NPK usar em adubo para palmeira
Os três números do rótulo de qualquer adubo são o NPK: a porcentagem de nitrogênio (N), de fósforo (P) e de potássio (K), sempre nessa ordem. Um adubo 8-2-12 tem 8% de nitrogênio, 2% de fósforo e 12% de potássio. Para palmeira de jardim, a UF/IFAS recomenda o 8-2-12 com 4% de magnésio (Mg) e micronutrientes. Segundo a universidade, essa fórmula corrige deficiências leves e moderadas e impede que voltem (Broschat, UF/IFAS ENH1009).
A forma do nutriente decide se o adubo ajuda ou atrapalha. Segundo a mesma publicação, 100% do nitrogênio, do potássio e do magnésio precisam estar em liberação lenta. Liberação lenta é a forma em que o grânulo solta o nutriente aos poucos, durante semanas. A versão solúvel sai da terra com a primeira chuva forte. Cada nutriente solúvel lava num ritmo diferente, e a proporção entre eles muda dentro do solo. A palmeira precisa dessa proporção estável.
Adubo rico em nitrogênio provoca falta de potássio e de magnésio na palmeira de jardim. O nitrogênio alto faz a palmeira crescer rápido sem potássio e magnésio para sustentar esse crescimento, e ela passa a mostrar a falta dos dois. A UF/IFAS registra palmeiras mortas por falta de potássio depois de adubo de grama rico em nitrogênio. O adubo foi aplicado a 9 m (30 pés) de distância, de um lado só da planta. A raiz de uma palmeira grande se espalha por 15 m (50 pés) ou mais em volta do tronco.
Por isso, fórmula de proporções iguais, como o 10-10-10, não é a indicada para palmeira de jardim. Adubo com mais nitrogênio que potássio também não. Na embalagem, confira quatro coisas:
O que olhar no rótulo | O que a palmeira de jardim pede |
|---|---|
Os três números (N-P-K) | Potássio maior que nitrogênio (como 8-2-12) |
Magnésio (Mg) | Presente, perto de 4% |
Forma do nutriente | "Liberação lenta" ou "liberação controlada" para N, K e Mg |
Micronutrientes | Manganês, ferro e boro na lista |
Sulfato de magnésio vendido em farmácia, o sal de Epsom, é magnésio solúvel. A UF/IFAS prefere a kieserita granulada, uma forma do mesmo sulfato que dissolve devagar.
Palmeira de vaso: outra fórmula, outra dose
Na palmeira de vaso, o nutriente que mais falta é o nitrogênio, e a falta de potássio é pouco comum. A terra de vaso é feita de casca de árvore e turfa, um material vegetal decomposto comum na terra vendida pronta. Os micro-organismos que decompõem esse material consomem nitrogênio e disputam esse nutriente com a raiz (Broschat, UF/IFAS ENH1010). Um adubo de folhagem com mais nitrogênio, de liberação lenta, funciona bem no vaso.
A areca (Dypsis lutescens) mostra essa falta com um sinal próprio: a base das folhas e o talo ficam dourados, e as folhas velhas ficam verde-claras por igual. A UF/IFAS atribui esse dourado à falta de nitrogênio. No vaso antigo, a falta é de magnésio. A mesma publicação diz que o magnésio do calcário misturado à terra acaba em cerca de 6 meses. A palmeira que passa anos no mesmo vaso começa a mostrar faixas amarelas nas bordas das folhas velhas.
Folha nova amarelada em palmeira de vaso quase nunca se resolve com adubo de ferro. A UF/IFAS explica que a terra velha se decompõe, fica compacta e sem ar, e a raiz sem ar não consegue absorver o ferro. O conserto é tirar a terra degradada e replantar em terra nova, sem trocar para um vaso muito maior.
A dose para dentro de casa ninguém mediu. A UF/IFAS usa a dose mais alta do rótulo em viveiro, onde a meta é a palmeira crescer rápido. Para a palmeira dentro de casa, a Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State) recomenda, espécie por espécie, adubar pouco:
Camedórea (Chamaedorea elegans): adubar de tempos em tempos na estação de crescimento e nada no inverno (NC State).
Kentia (Howea forsteriana): adubo de planta de interior com pouca frequência, e o de liberação lenta é o ideal (NC State).
Ráfis (Rhapis excelsa): adubo equilibrado de liberação lenta na estação de crescimento (NC State).
A instrução mais segura para a palmeira na sala segue a NC State. Use adubo de liberação lenta na menor dose do rótulo, na primavera e no verão. Reaplique só quando vencer o prazo escrito na embalagem, sem adubar no inverno. Outras plantas de folhagem de vaso também pedem dose baixa e pausa no frio: o guia de adubo para lírio da paz indica quatro aplicações por ano a um quarto da força.
As palmeiras de vaso deste guia, com rega, luz e porte de cada uma:
Palmeira no jardim ou no quintal: onde e quanto aplicar
Espalhe o adubo por igual em toda a área sob a copa, e não num círculo perto do tronco. A UF/IFAS explica que o nutriente desce na terra e quase não anda para os lados. Adubo concentrado em cova, em espeto ou numa faixa ao redor do tronco só alcança a pequena parte da raiz logo embaixo dele. E queima essas raízes com mais facilidade.

A dose da UF/IFAS para o sul da Flórida é de 1,5 libra do adubo 8-2-12 por 100 pés quadrados de copa. Isso dá cerca de 70 g por m², a cada 3 meses. Para medir a área, pense no círculo de chão que fica embaixo das folhas. Nas regiões mais frias da Flórida, a UF/IFAS diz que dá para pular a aplicação de inverno e usar doses menores. O número foi medido em solo arenoso, que perde nutriente rápido. Ninguém mediu a dose certa para terra argilosa, que segura mais nutriente: nesse caso, comece pela dose menor do rótulo.
No quintal, a primeira folha a mostrar falta de potássio é sempre a de baixo, a mais velha (Broschat, UF/IFAS ENH1017). No coqueiro (Cocos nucifera), o começo são pintas amarelas ou alaranjadas translúcidas nos folíolos, que são as tiras da folha. Depois a ponta e a borda secam. O sintoma é sempre mais forte na ponta da folha do que perto do tronco.
A falta de potássio é a primeira causa de morte das palmeiras-imperiais (gênero Roystonea) nos jardins do sul da Flórida, segundo a UF/IFAS. A veitchia e a palmeira-real-australiana (Archontophoenix) estão entre as mais resistentes a essa falta.
Não corte as folhas de baixo amareladas. A UF/IFAS cita um estudo em fênix-anã (Phoenix roebelenii): tirar as folhas velhas com falta de potássio acelerou o declínio da palmeira. Segundo a universidade, esse corte pode matar a palmeira antes da hora. Para a UF/IFAS, a gravidade da falta de potássio se mede pelo número de folhas vivas na copa, e não pelo número de folhas manchadas.
Quando e quanto adubar: vaso e jardim lado a lado
Palmeira de vaso (dentro de casa) | Palmeira de jardim | |
|---|---|---|
Fórmula | Adubo de folhagem, nitrogênio pode ser o maior número | Potássio maior que nitrogênio, com magnésio (8-2-12 + 4 Mg) |
Forma | Liberação lenta | Liberação lenta para N, K e Mg |
Dose | A menor do rótulo | Cerca de 70 g por m² de copa (medido na Flórida) |
Frequência | Quando vencer o prazo do rótulo, só na primavera e no verão | A cada 3 meses |
Inverno | Não adubar | Pode pular onde o inverno esfria |
Onde aplicar | Sobre a terra, longe da base | Espalhado por toda a área sob a copa |
O que a folha diz sobre o adubo da palmeira
A folha mais velha e a folha mais nova mostram faltas diferentes. Potássio, magnésio e nitrogênio aparecem primeiro nas folhas de baixo, porque a palmeira tira esses nutrientes da folha velha para mandar à nova. Ferro e manganês aparecem primeiro na folha nova, do centro da copa.
Onde aparece | Como é | Provável causa | O que fazer |
|---|---|---|---|
Folhas velhas | Pintas amarelas ou laranja translúcidas, ponta seca e enrolada, pior na ponta da folha | Falta de potássio | Adubo com mais potássio, com magnésio; não cortar a folha |
Folhas velhas | Faixa amarelo-limão larga na borda, centro da folha bem verde, sem parte seca | Falta de magnésio | Adubo com magnésio de liberação lenta |
Folhas velhas, depois a copa toda | Verde-claro por igual; talo dourado na areca | Falta de nitrogênio | Adubo com nitrogênio |
Folha nova | Amarela por igual, às vezes com nervuras mais verdes | Raiz sem ar, terra velha ou encharcada | Corrigir a terra e a rega; ferro raramente resolve |
Folha nova | Amarela com estrias secas, pior na base da folha | Falta de manganês | Sulfato de manganês na terra |
Folhas velhas de palmeira de vaso | Ponta seca, às vezes crosta branca na terra | Sal de adubo acumulado | Lavar a terra do vaso |
A diferença entre magnésio e potássio está em onde o amarelo fica. No magnésio, a faixa amarela é igual da base à ponta da folha e nunca vem com parte seca (Broschat, UF/IFAS ENH1014). No potássio, o amarelo vai piorando em direção à ponta. A folha amarela na palmeira tem outras causas além do adubo, e o guia de folhas amarelas na palmeira separa cada padrão por espécie.
O resultado demora. Na falta de nitrogênio, a UF/IFAS espera a folhagem voltar a ficar verde em 1 ou 2 meses. Na falta de potássio, a recuperação leva de 1 a 3 anos, porque a copa inteira precisa ser trocada por folhas novas sem sintoma.
Ponta seca na palmeira de vaso: excesso de adubo
A palmeira com excesso de sal na terra mostra a ponta dos folíolos das folhas velhas seca e marrom (Broschat, UF/IFAS ENH1011). O sal vem do adubo em excesso ou da água de rega, e a raiz queimada também faz as folhas novas amarelarem ou murcharem. Quando a ponta seca vem do sal, adubar mais aumenta o sal na terra e piora a queimadura.
Para lavar a terra, leve o vaso para o tanque ou o chuveiro e regue devagar até a água escorrer pelo furo. Repita a lavagem algumas vezes seguidas, como indica a UF/IFAS quando o sal já se acumulou. Depois, deixe a água escorrer toda e não devolva o vaso ao pratinho cheio.
Para o sal não voltar, a UF/IFAS recomenda adubo de baixo teor de sal, só na dose do rótulo. Em toda rega, um pouco de água deve escorrer pelo furo. A crosta branca na superfície da terra ou na borda do vaso é o sinal visível desse acúmulo:
Quando não adubar a palmeira
Não adube palmeira doente, murcha ou com a terra sempre molhada. Adubo não recupera raiz: raiz podre ou queimada absorve pouco, e o sal do adubo piora a queimadura. A UF/IFAS registra que podridão de raiz e excesso de sal aparecem em cima como folha nova amarelada, que é fácil de confundir com fome.
As mosquinhas pretas que voam em volta do vaso são mosquinhas-do-fungo. Segundo a Universidade Estadual do Colorado, elas vivem na terra úmida. O principal controle é deixar secar os 2,5 a 5 cm de cima da terra entre as regas (CSU Extension). Corrija a rega primeiro e só volte a adubar quando a palmeira soltar uma folha nova saudável.
Palmeira recém-comprada também não precisa de adubo. No viveiro, a palmeira de vaso recebe adubo de liberação lenta na dose alta do rótulo, segundo a UF/IFAS. As bolinhas coloridas na terra de muitas palmeiras compradas são esse adubo: enquanto elas estiverem ali, não adube.
Adubo caseiro e orgânico para palmeira
Nenhuma receita caseira entrega a proporção de potássio e magnésio que a palmeira de jardim precisa. Duas delas, o esterco e a borra de café crua, atrapalham. O que decide o resultado é a proporção entre os nutrientes e a liberação lenta, não se o adubo é orgânico ou mineral. As fontes que a UF/IFAS testou em palmeira são minerais de liberação lenta. Nenhuma das publicações dela usadas neste guia mediu adubo orgânico em palmeira.
Esterco. A UF/IFAS manda evitar esterco e lodo de esgoto compostado perto de palmeiras, no trecho sobre falta de manganês. A universidade cita um estudo próprio sobre composto que prende esse nutriente. Esterco curtido aparece muito como adubo orgânico de palmeira, mas este guia segue a UF/IFAS nesse ponto: é a única das fontes consultadas que mediu adubação em palmeira.
Borra de café. A borra tem potássio: é o mineral que aparece em maior quantidade nela, segundo a Universidade Estadual de Washington (WSU). O problema é físico: a borra é fina, compacta com facilidade e atrapalha a passagem de água e de ar na terra. A WSU recomenda compostar a borra antes de usar, em no máximo 20% do volume da composteira (WSU Extension FS207E).
Casca de ovo. A casca é quase só cálcio, e em pedaços grandes leva pelo menos um ano para liberar esse cálcio. Um estudo citado pela Universidade de Illinois achou a casca triturada à mão "pouco melhor que nada", e só o pó fino funcionou (Illinois Extension). Na palmeira há um motivo a mais para não insistir. A UF/IFAS lista o excesso de cálcio em relação ao potássio entre as causas da falta de potássio.
Casca de banana. A casca de banana tem potássio, mas ninguém mediu quanto dele chega à palmeira. A opção mais segura é levar a casca para a composteira em vez de enterrar crua junto ao tronco.
A fórmula, a dose e até o sintoma mudam de uma palmeira para outra. Muita palmeira de vaso chega à casa sem nome na etiqueta. O Bloom identifica a espécie por uma foto da folha no iPhone. Com o nome certo, você sabe se tem uma areca, que mostra a falta de nitrogênio no talo, ou uma kentia, que pede pouco adubo.
Perguntas frequentes
Posso usar adubo NPK 10-10-10 em palmeira?
Em palmeira de vaso, um adubo equilibrado de liberação lenta funciona, porque ali a falta mais comum é de nitrogênio. Em palmeira de jardim, a UF/IFAS recomenda mais potássio que nitrogênio (8-2-12), com 4% de magnésio. Adubo com nitrogênio igual ou maior que o potássio pode provocar falta de potássio e de magnésio no solo que perde nutriente com a chuva.
Sal de Epsom sozinho resolve a palmeira amarelada?
Só se o problema for falta de magnésio, com faixa amarela larga na borda da folha velha e centro verde. O sal de Epsom é sulfato de magnésio solúvel e sai da terra com a chuva, e a UF/IFAS prefere a kieserita, de dissolução lenta. Magnésio sozinho não corrige falta de potássio, que é a mais comum em palmeira de jardim.
Quanto tempo a palmeira leva para responder ao adubo?
Depende do nutriente que faltava. Na falta de nitrogênio, a UF/IFAS espera a folhagem voltar a ficar verde em 1 ou 2 meses. Na falta de potássio, leva de 1 a 3 anos, porque as folhas manchadas não voltam a ficar verdes: a copa precisa ser trocada por folhas novas. Não corte as velhas nesse período.
Adubo em espeto (spike) funciona em palmeira?
Funciona pior que o adubo espalhado. Segundo a UF/IFAS, o nutriente desce na terra e quase não se espalha para os lados. O espeto só alimenta a raiz logo abaixo dele e queima essa raiz com mais facilidade. A mesma quantidade espalhada por toda a área sob a copa chega a muito mais raízes.
A conta certa em cada caso
Na palmeira de jardim, o adubo certo tem mais potássio que nitrogênio, leva magnésio e solta tudo devagar, espalhado sob a copa a cada 3 meses. Na palmeira de vaso, use a menor dose do rótulo na primavera e no verão. Ponta seca pede lavar a terra antes de adubar mais. Rega, luz e escolha de vaso estão no guia de como cuidar de palmeira. A suculenta de vaso também sofre com adubo demais: o guia de adubo para suculentas mostra por que dose alta com frequência curta estraga a planta.
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