Como cuidar da begônia: reconheça o tipo e o cuidado de cada um
Como cuidar da begônia de cana, rex, cerosa, tuberosa ou elatior: reconheça o tipo e veja luz, rega pela base sem molhar a folha, umidade, adubo e poda. Inclui o que fazer quando o caule amolece.
Para cuidar da begônia, deixe o vaso num lugar claro, sem sol forte do meio-dia. Regue quando a superfície da terra estiver quase seca, sempre na base da planta, sem molhar as folhas. A elatior e a tuberosa são a exceção: pedem terra sempre úmida, sem encharcar. Mantenha o ar úmido com uma bandeja de pedrinhas molhadas, sem borrifar água nas folhas. Use um vaso pequeno e uma terra solta, que escorra a água rápido.
O cuidado muda conforme o tipo de begônia. A de cana, a rex, a cerosa e a tuberosa pedem luz, rega e descanso diferentes, e a tuberosa passa parte do ano dormindo. Por isso, o primeiro passo é descobrir qual begônia você tem. A ASPCA lista a begônia como tóxica para cachorros, gatos e cavalos.
Cuidado | O que fazer |
|---|---|
Luz | Clara, sem sol do meio-dia; janela voltada para o leste é a melhor |
Rega | Quando a superfície da terra estiver quase seca (elatior e tuberosa: terra sempre úmida); na base, sem molhar as folhas |
Umidade | Rex: acima de 50%, o ideal acima de 75%; bandeja de pedrinhas, sem borrifar |
Temperatura | Mínima de 13 °C para a maioria; a tuberosa sofre com calor constante acima de 30 °C |
Terra | Solta e que escorra bem, sem terra de jardim; vaso pequeno |
Adubo | Um quarto a metade da dose do rótulo, só enquanto a planta cresce |
Pets | Tóxica para cachorros, gatos e cavalos; a parte enterrada (raiz, rizoma, tubérculo) é a mais tóxica |
Qual begônia é a sua: cana, rizomatosa, cerosa, tuberosa ou elatior
A begônia (gênero Begonia) reúne mais de 2.100 espécies, segundo a NC State, e milhares de variedades. A American Begonia Society, associação de cultivadores dos Estados Unidos, separa essas plantas em grupos pelo jeito de crescer. Para cuidar, basta reconhecer cinco deles. Em geral, a folha é assimétrica, pelo menos na base, segundo a NC State Extension. Folha torta, com um lado maior que o outro, é uma pista de begônia, mas não prova sozinha.
Olhe o caule e a folha. Se ainda ficar em dúvida, tire a planta do vaso e olhe a raiz:
Grupo | Como reconhecer | Exemplo comum |
|---|---|---|
De cana | Caules eretos e lisos, com nós inchados, parecidos com bambu; folhas e flores saem dos nós | Begônia-maculata, de folha com pintas prateadas |
Rizomatosa e rex | Caule grosso que corre deitado sobre a terra (o rizoma); as folhas saem dele em hastes compridas | Begônia rex, de folha colorida com brilho prateado |
Cerosa (também chamada begônia-de-cera) | Planta baixa e compacta, de raiz fina; folha lisa e brilhante, verde ou cor de bronze | |
Tuberosa | Cresce de um tubérculo (uma "batata" achatada debaixo da terra); as folhas amarelam e somem no outono | |
Elatior | Begônia de vaso já florida, de flores dobradas, vendida em floricultura e supermercado | Begônia elatior (Begonia × hiemalis) |
A begônia de cana pode passar de 1,8 m de altura, segundo a NC State. A RHS é a sociedade real de horticultura do Reino Unido. Segundo ela, muitas begônias de cana cultivadas hoje vêm de espécies nativas do Brasil, como a Begonia maculata. Na begônia de cana, a NC State descreve folhas verdes em forma de asa, com pintas prateadas e o verso vermelho.
A rex é um subgrupo das rizomatosas. Na begônia rex, o rizoma é um caule grosso, às vezes peludo, que fica deitado por cima da terra. A begônia-de-cera descende da espécie Begonia cucullata, segundo a American Begonia Society, e é muito usada em canteiros.

A elatior é um cruzamento da tuberosa com a espécie Begonia socotrana (RHS). A RHS explica que ela não foi criada para durar muitos anos e que muita gente descarta a planta depois da floração. Se nenhuma descrição bate com a sua planta, o app Bloom identifica a espécie pela foto da folha. A identificação está no plano grátis, com 2 por mês.
Luz para begônia: clara, sem sol do meio-dia
A begônia de interior precisa de luz forte e indireta. Segundo a Iowa State Extension, ela não aguenta sol direto intenso. A begônia de interior cresce melhor perto de janela voltada para o leste, com um pouco de sol da manhã. No Brasil, a janela voltada para o norte recebe sol forte durante boa parte do dia. Nessa janela, coloque uma cortina fina entre a begônia e o vidro.
Cada grupo tolera uma quantidade de sol diferente:
De cana: precisa de luz boa para formar caule firme e dar flor, mas o sol direto queima a folha (RHS). Em canto escuro, o caule sai fraco e a planta dá pouca flor.
Rex: luz clara e indireta, longe do sol quente (American Begonia Society).
Cerosa: aguenta sol pleno no canteiro, segundo a Iowa State, mas a American Begonia Society diz que, em clima quente e seco, ela precisa de sombra filtrada. As de folha cor de bronze toleram mais sol que as verdes (NC State).
Tuberosa: aguenta sol direto bem cedo ou no fim da tarde, se o calor ficar abaixo de 30 °C, e queima com o sol do meio-dia (American Begonia Society).
Folha com mancha seca e desbotada do lado da janela indica excesso de sol. Caule comprido e fino, com folhas espaçadas, indica falta de luz.
Como regar a begônia sem apodrecer a raiz
Regue a begônia quando a superfície da terra estiver quase seca ao toque. A American Begonia Society ensina o teste para as rizomatosas: enfie o dedo de 1,3 a 2 cm na terra. Se a terra estiver fresca nessa profundidade, ainda tem água e não é hora de regar. A NC State avisa que a begônia é muito sujeita à podridão da raiz, então o excesso de água é o erro mais perigoso.
O ponto de rega muda por grupo:
De cana: quando a superfície estiver quase seca. Folha que amarela e cai é sinal de rega frequente demais (American Begonia Society).
Rex e rizomatosas: a superfície quase seca entre uma rega e outra. No inverno, regue menos e deixe a superfície secar antes de regar de novo (RHS).
Cerosa: só quando a terra estiver seca ao toque. No canteiro, depois de pegar, ela aguenta bem a seca (American Begonia Society).
Elatior: mantenha a terra úmida, sem deixar secar (RHS).
Tuberosa: úmida, nunca molhada, porque o tubérculo apodrece fácil (Iowa State).
Molhe a terra na base da planta, sem molhar as folhas, como recomenda a NC State. Jogue fora a água que escorrer para o pratinho: a begônia nunca deve ficar com o vaso parado na água (Clemson Extension). Uma loja de plantas americana manda deixar a terra da rizomatosa secar por completo antes de regar. A RHS manda o contrário: não deixar a terra secar por completo nem encharcar. Siga a RHS: ela é uma sociedade de horticultura, e a outra recomendação vem de uma loja.
Umidade do ar para begônia: alta, sem molhar a folha
A NC State, extensão universitária, pede umidade acima de 75% para a rex. A American Begonia Society pede acima de 50%. Siga a NC State e use a bandeja de pedrinhas. As outras rizomatosas toleram 50%, segundo a NC State. A cerosa é menos exigente: serve qualquer umidade em que você se sinta bem dentro de casa.
Para aumentar a umidade, a RHS indica uma bandeja com pedrinhas, argila expandida ou cascalho. Mantenha água na bandeja só até um pouco abaixo da superfície das pedrinhas, e apoie o vaso por cima.
Não borrife água nas folhas. A RHS, a NC State e a Clemson desaconselham, porque a folha molhada favorece doença. O oídio (um fungo que forma um pó branco nas folhas) aparece com tempo fresco e umidade alta. A American Begonia Society diz que boa ventilação é indispensável contra ele. Folha molhada também espalha a mancha bacteriana, a doença de bactéria mais comum e mais grave da begônia, segundo a mesma associação.
Borda da folha marrom e crocante indica ar seco demais ou calor demais. A RHS liga esse sintoma à umidade baixa ou à temperatura alta demais, e a American Begonia Society diz o mesmo da begônia de cana. Afaste o vaso do ar-condicionado e do aquecedor e coloque a bandeja de pedrinhas.
Temperatura: o frio e o calor que a begônia aguenta
A maioria das begônias de interior precisa de pelo menos 13 °C no inverno. A RHS dá esse mínimo para as cerosas e para a rex, e 10 °C para as outras rizomatosas. A begônia de cana cresce melhor entre 15 e 22 °C. No Brasil, o risco do frio está no inverno do Sul e das serras, de junho a agosto, perto da janela à noite.
A tuberosa tem o problema oposto. Segundo a American Begonia Society, ela sofre com temperatura constante acima de 30 °C. Em cidade quente, cultive a tuberosa no lugar mais fresco da casa, com sol só de manhã cedo e sombra à tarde.
Terra e vaso para begônia
Use uma terra bem solta, que deixe a água escorrer rápido. A American Begonia Society sugere, para begônia de interior, partes iguais de:
terra à base de fibra de coco;
casca para orquídea em pedaços pequenos, de 3 a 6 mm;
perlita grossa (pedrinhas brancas e leves que soltam a terra).
Não use terra de jardim na mistura, segundo a mesma associação. A begônia de cana aceita uma terra mais pesada, que ajuda a segurar os caules altos.
Escolha um vaso pequeno, com furo no fundo. A begônia gosta da raiz apertada: vaso grande demais deixa a terra molhada por muito tempo e apodrece a raiz (American Begonia Society). A rex vai bem em vaso raso. Troque a terra uma vez por ano, mesmo que a planta fique no mesmo vaso.
Adubo para begônia
Adube só enquanto a begônia está crescendo, na primavera e no verão (no Brasil, de setembro a março). Use de um quarto à metade da dose indicada no rótulo, como recomenda a American Begonia Society. Segundo a associação, a begônia não cresce nem usa adubo abaixo de 15 °C.
Escolha o adubo pelo que a begônia dá, flor ou folha:
Begônia de flor (de cana, cerosa, tuberosa): adubo para flor, com menos nitrogênio (o primeiro dos três números do rótulo), segundo a American Begonia Society. A RHS indica adubo com mais potássio (o último dos três números) para as de raiz fibrosa, como a cerosa, e para a de cana.
Rex, que é de folha: adubo com mais nitrogênio, segundo a RHS.
Se você não sabe ler os três números do rótulo (nitrogênio, fósforo e potássio), o guia de adubo para plantas explica o que cada um faz e como diluir.
Begônia comprida e sem folha embaixo: quando e como podar
Begônia de cana que fica comprida, com folha só na ponta, precisa de poda e de mais luz. A RHS diz que essa begônia precisa de luz boa para formar caule firme. A poda sozinha não resolve se o vaso continuar no canto escuro.
Siga os passos da American Begonia Society para a begônia de cana:
Remova as canas mais velhas e duras.
Encurte as canas verdes deixando 4 ou 5 nós (os anéis inchados do caule).
Faça cada corte de 0,6 a 1,3 cm acima de uma gema, o brotinho que fica no nó.
Faça a poda antes da época de flor, no fim do inverno ou no começo da primavera.
Beliscar é tirar só a pontinha do caule com os dedos. Beliscar faz a planta ramificar e ficar mais cheia, segundo a mesma associação. Na cerosa, beliscar com frequência dá uma planta mais cheia e com mais flor. As pontas cortadas da begônia de cana servem como estaca para fazer muda.
Tuberosa e elatior depois da floração
A tuberosa dorme todo ano. No outono, quando as folhas começam a amarelar, diminua a rega até parar, segundo a NC State. Em regiões sem geada dos Estados Unidos, a American Begonia Society diz que a tuberosa para de crescer em outubro ou novembro. No Brasil, isso acontece em abril ou maio.
Depois que a parte de cima secar, faça assim:
Tire o tubérculo da terra e deixe secar bem.
Cubra com turfa seca (musgo decomposto, escuro e leve), maravalha (lascas finas de madeira) ou perlita.
Guarde em lugar seco, escuro e fresco, entre 7 e 15 °C (UF/IFAS).
Plante de novo no fim do inverno, em agosto no Brasil, com a terra úmida, nunca molhada.
A RHS diz que a elatior costuma ser descartada depois da floração e que os cultivadores fazem plantas novas por estaca todo ano. Para manter a mesma planta, a RHS manda deixar a elatior descansar a 7 °C por cerca de 6 semanas. Nesse tempo, regue pouco, sem deixar a terra secar. Depois, corte a planta a 15 cm da base. Dentro de casa, no Brasil, poucos lugares ficam tão frios, então a estaca é o caminho mais fácil.
Caule mole, folha caindo, folha amarela: o que cada sintoma indica
Caule mole e escuro na base é o sintoma mais grave. A Penn State Extension descreve a podridão de Pythium (um fungo da terra encharcada) como manchas pretas e brilhantes no caule, rente à terra. A planta tomba e morre. A American Begonia Society diz que, nessa doença, raiz e caule ficam pretos e moles.
Tire a planta do vaso e olhe a raiz. Se sobrar raiz branca e firme, corte a parte preta e mole, troque toda a terra e regue só quando a superfície estiver quase seca. Se a raiz toda estiver preta e mole, salve a begônia de cana pelas pontas. Corte as pontas firmes e verdes, com 7 a 10 cm, e plante como estaca em terra arenosa e úmida (RHS).
Os outros sintomas, segundo a RHS:
Folha caindo ou apodrecendo: excesso de água, umidade parada sem ventilação ou falta de luz.
Folha amarela: pouca luz, ou rega demais ou de menos.
Borda marrom e crocante: ar seco ou calor demais.
Botão que cai antes de abrir: ar seco ou falta de água.
Entre as begônias que morrem e são relatadas ao serviço de conselhos da RHS, a maioria foi regada demais ou ficou em ar seco demais.
Pragas e doenças da begônia
A NC State aponta sete pragas comuns da begônia: cochonilha-farinhenta, mosca-branca, tripes (insetos minúsculos e alongados), cochonilha de carapaça, lesmas, caracóis e ácaros. A cochonilha-farinhenta forma tufos brancos de algodão nas axilas das folhas. O ácaro, no caso o ácaro-aranha, é minúsculo e deixa a folha pontilhada, às vezes com teia fina. A RHS cita também o pulgão. Olhe o verso das folhas uma vez por semana.
Quando o ácaro-branco, outra espécie de ácaro, ataca, as folhas novas ficam enroladas, quebradiças e descoloridas, segundo a American Begonia Society.
As doenças mais comuns são três:
Oídio: pó branco sobre a folha, com tempo fresco e úmido.
Botrytis (mofo-cinzento): manchas cinzentas de mofo em folhas, caules e botões, começando no material morto. Tire folhas e flores secas do vaso.
Mancha bacteriana: manchas encharcadas, como se a folha estivesse molhada por dentro, rodeadas de um anel amarelo. Mantenha as folhas secas, porque a bactéria se espalha pela água.
Mudas de begônia
Cada grupo de begônia tem um método de muda. Segundo a RHS, a de cana e a cerosa pegam por estaca de caule de 7 a 10 cm. A rex pega por estaca de folha, com cortes nas nervuras grossas. As rizomatosas se dividem na primavera, desde que cada pedaço de rizoma tenha pelo menos um broto.
A begônia é tóxica para gatos e cachorros?
Sim. A ASPCA, centro de controle de intoxicação animal dos Estados Unidos, lista a begônia como tóxica para cachorros, gatos e cavalos. A substância tóxica é o oxalato de cálcio solúvel. Os sinais em cães e gatos são vômito e salivação. A parte mais tóxica fica debaixo da terra: raiz, rizoma e tubérculo.
A NC State classifica o veneno como de baixa gravidade e avisa que a seiva pode irritar a pele. Guarde o tubérculo da tuberosa longe do alcance do animal durante a dormência. Se o seu animal comeu begônia, ligue para o veterinário. O guia de plantas tóxicas para pets mostra outras plantas comuns em casa com risco para gatos e cachorros.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura uma begônia de vaso?
Depende do grupo. A elatior é vendida para uma floração e, segundo a RHS, costuma ser descartada depois dela. A de cana e a rex vivem anos no vaso. Na begônia de cana, as canas com mais de 2 ou 3 anos enfraquecem, segundo a American Begonia Society. As canas novas crescem com mais força.
A begônia gosta de vaso grande ou pequeno?
A begônia gosta de vaso pequeno. A American Begonia Society diz que ela prefere a raiz apertada e bem drenada. Vaso grande demais guarda água demais na terra, que fica azeda e apodrece a raiz. Troque para um vaso só um pouco maior quando a raiz tomar o vaso todo.
Preciso regar a begônia todo dia?
Não. Regar todo dia mantém a terra encharcada, e a begônia é muito sujeita à podridão da raiz, segundo a NC State. Regue quando a superfície da terra estiver quase seca; a elatior e a tuberosa pedem terra sempre úmida. Para testar, enfie o dedo de 1,3 a 2 cm na terra: se estiver fresca, espere mais um dia.
A begônia gosta de sol ou de sombra?
A begônia gosta de luz clara e indireta, sem sol do meio-dia. A de cana e a rex queimam com sol direto forte, e a elatior pede meia-sombra (RHS). A cerosa é a exceção: aguenta sol pleno no canteiro, principalmente as de folha bronze. A tuberosa aceita sol só bem cedo ou no fim da tarde.
Se a sua begônia está com folha manchada ou caule escurecendo e você não sabe a causa, o app Bloom para iPhone ajuda. Ele identifica a planta por foto e, no plano Premium, aponta a doença pela foto da folha.
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