Azaleia com folhas amarelas: a nervura e a idade da folha mostram a causa
Folha nova amarela com a nervura verde é falta de ferro, porque a terra ou a água da azaleia ficou pouco ácida. Folhas velhas amarelando depois da floração é troca normal. Folha amarela e murcha com a terra úmida é raiz. Veja como separar as causas e como salvar a azaleia.
Azaleia com folhas amarelas nas pontas dos galhos, com as nervuras ainda verdes, está com falta de ferro. Quase sempre o ferro está na terra, mas a raiz não consegue absorvê-lo porque a terra ou a água de rega ficou pouco ácida. Esse é o problema típico da azaleia (Rhododendron simsii), uma planta que só vive bem em terra ácida.
Duas outras situações também amarelam a azaleia e pedem outro cuidado. Folhas velhas, na parte de dentro da planta, amarelando aos poucos depois da floração, são a troca normal de folhas. Nesse caso a planta não precisa de nada. Folha amarela e murcha com a terra úmida aponta para a raiz. A falta de ferro e a raiz doente têm solução enquanto a raiz e os galhos estão vivos.
Onde e como amarelou: o que cada sinal indica na azaleia
Duas observações separam as causas: a idade da folha que amarelou e a posição do amarelo (entre as nervuras ou na folha toda). A folha nova é a do tufo na ponta do galho. A folha velha fica mais abaixo e mais para dentro da planta. Olhe também o verso da folha e a terra do vaso.
O que você vê | Causa provável | O que fazer primeiro |
|---|---|---|
Folha nova amarela, nervuras verdes | Falta de ferro por pH alto (terra pouco ácida) | Medir o pH da terra com um kit e regar só com água de chuva |
Folha velha amarela entre as nervuras, com manchas vermelho-arroxeadas | Falta de magnésio | Sal de Epsom, na dose do rótulo |
Folha velha amarela por inteiro | Falta de nitrogênio | Adubo para plantas de terra ácida, na metade da dose do rótulo |
Folhas velhas na parte de dentro da planta, pontas verdes e firmes, depois da floração | Troca normal de folhas | Nada |
Folha amarela e murcha de manhã, terra úmida | Raiz doente ou afogada | Olhar a raiz e a base do caule |
Folha pontilhada de branco por cima, pontinhos pretos no verso | Percevejo-de-renda | Lavar o verso das folhas com jato de água |
Folha bronzeada, teia fina no verso, sem pontinhos pretos | Ácaro | Bater um galho sobre papel branco para confirmar |
A clorose é o nome técnico do amarelamento da folha por falta de clorofila, o pigmento verde. Na azaleia, a clorose da folha nova com nervura verde tem nome próprio: clorose férrica, a falta de ferro.
Folha nova amarela com nervura verde: falta de ferro
O sinal da falta de ferro é o amarelo entre as nervuras, com as nervuras verdes, aparecendo primeiro nas folhas novas. A descrição é da Purdue Extension, da Universidade Purdue (EUA). A Universidade do Missouri acrescenta que as folhas maduras, mais abaixo, continuam verde-escuras. A mesma universidade diz que donos de jardim costumam confundir esse amarelo com falta de nitrogênio.

A Universidade de Maryland explica que, com o pH acima de 6,5, o ferro fica numa forma que a planta não usa. Ele pode estar na terra em quantidade suficiente e, mesmo assim, faltar na folha. O pH mede a acidez: quanto mais baixo o número, mais ácida a terra. A UF/IFAS, a extensão da Universidade da Flórida, indica o pH entre 5,0 e 5,5 como o melhor para a azaleia.
As fontes não dão exatamente a mesma faixa. A RHS, a sociedade britânica de horticultura, aceita de 5,0 a 6,0, e a Universidade Clemson, de 4,5 a 6,0. A faixa da UF/IFAS cabe dentro das duas, por isso este guia usa a mais estreita.
Quando a folha amarela começa a queimar na borda
Folha quase branca, com a ponta ou a borda marrom e seca, é a falta de ferro em estágio avançado. A UF/IFAS descreve essa folha nos casos graves da azaleia. A planta ainda pode se recuperar se a raiz estiver viva, mas nenhuma fonte mediu isso na azaleia. A parte marrom e seca da folha está morta e não volta.
A borda marrom sozinha não prova falta de ferro. A Universidade de Maryland liga a borda queimada também à falta de magnésio. A Universidade Estadual de Washington liga ao excesso de adubo, à falta ou ao excesso de água e ao vento seco. O sinal da falta de ferro continua sendo a nervura verde na folha nova.
Por que o pH sobe no vaso da azaleia
No vaso, a falta de ferro vem de três causas. São elas a água de torneira com muito calcário, a terra alcalina (o oposto de ácida) e o excesso de adubo. A RHS aponta as três como causa de folha amarela na azaleia de vaso. Segundo a RHS, a água dura (água com muito calcário dissolvido) tem bicarbonato de sódio, que é alcalino e tóxico para a planta.
A água de rega alcalina eleva o pH aos poucos. A Universidade do Missouri registra que o pH da terra tende a subir com o tempo quando a água de rega é alcalina. Por isso uma azaleia que ficou verde por meses pode amarelar sem nenhuma mudança visível no cuidado.
No jardim, a Universidade de Maryland e a Universidade Rutgers apontam outra causa comum: a azaleia plantada perto de muro, calçada ou alicerce de cimento. O calcário do cimento sobe o pH da terra em volta.
Para saber o pH, use um kit de medir o pH da terra, vendido em loja de jardinagem. A RHS indica esse teste simples. Siga a instrução do kit: ele indica quanta terra misturar e com quanta água. Compare a cor da mistura com a tabela da embalagem.
Como baixar o pH e devolver o ferro à azaleia
A correção que dura é baixar o pH. Ferro aplicado sem mexer no pH resolve por pouco tempo, porque a terra continua travando o ferro. As medidas mudam conforme a azaleia esteja no vaso ou no jardim.
No vaso:
Regue sempre com água de chuva, a opção que a RHS indica. Deixe um balde limpo ao ar livre para coletá-la.
Se o kit marcar pH acima de 6,0, troque a terra por terra própria para plantas de terra ácida. Esse é o limite de cima que a RHS e a Clemson aceitam. A embalagem costuma indicar azaleia, camélia e gardênia. O guia de como cuidar da azaleia mostra a mistura e o momento da troca.
A Universidade do Missouri indica uma mistura para azaleia de vaso com folha amarela. Dissolva meia colher de chá de sulfato de ferro e meia de sulfato de amônio em cerca de 1 litro de água de chuva. Regue com essa mistura a cada 2 a 3 semanas.
A Universidade do Missouri não diz por quanto tempo repetir a mistura. A RHS avisa que adubo em excesso também amarela a azaleia, então pare quando as folhas novas nascerem verdes.
Ferro quelatado. É ferro numa forma que a raiz absorve com mais facilidade. Ele é vendido em pó ou líquido para aplicar na terra, na dose do rótulo. Leia o nome químico no rótulo. A Universidade Estadual da Dakota do Norte (NDSU) trata de árvores e dá os limites de cada tipo. O quelato EDTA mantém o ferro disponível só com pH até 6,3, e o EDDHA, até 9,0. Com água de torneira calcária, procure EDDHA no rótulo.
Ferro na folha. O ferro pulverizado nas folhas dá resultado rápido e passageiro, segundo a Universidade Clemson. A Universidade Estadual do Colorado avisa que a dose que deixa a folha verde fica perto da dose que queima a folha. Siga exatamente a dose do rótulo e use o spray só como ajuda enquanto o pH baixa.
No jardim. A Universidade do Missouri dá os prazos. O enxofre em pó leva de 3 a 6 meses para baixar o pH. O sulfato de ferro age em 3 a 4 semanas. A Universidade Estadual de Ohio explica que o enxofre depende de microrganismos da terra e quase não age no frio. Aplique na primavera ou no verão.
Não use sulfato de alumínio, o produto que deixa a hortênsia azul. A Universidade de Maryland avisa que a azaleia é sensível ao alumínio acumulado na terra.
A folha amarela volta a ficar verde?
Nenhuma fonte de extensão mediu, na azaleia, se a folha amarela volta a ficar verde. Em árvores, a NDSU registrou que o ferro pulverizado nas folhas deixa verdes, em cerca de 2 semanas, as folhas presentes na aplicação. As folhas que nascem depois tendem a sair amarelas de novo se o pH continuar alto. Por isso o sinal de que a correção funcionou é a folha nova nascer verde.
Folhas velhas amarelando depois da floração: troca normal
É normal a azaleia amarelar e perder aos poucos as folhas velhas, mesmo sendo uma planta que fica com folha o ano todo. A Universidade Clemson registra que as folhas mais velhas da azaleia amarelam ou ficam arroxeadas no início do outono. No Brasil, o início do outono cai em março e abril.
Na azaleia de vaso, a época é outra. A RHS registra que ela solta todo ano uma parte das folhas mais velhas na primavera e no verão. No Brasil, isso vai de setembro a março, a primavera e o verão daqui.
A troca normal tem três sinais, todos juntos:
as folhas amarelas ficam mais abaixo nos galhos e na parte de dentro da planta;
as folhas da ponta dos galhos continuam verdes e firmes;
as folhas amarelas caem sozinhas, sem ficar presas no galho.
Se a folha morta fica presa no galho sem cair, a causa é outra. A Universidade Estadual de Washington lista a folha morta que não cai entre os sinais de podridão de raiz.
Folha velha amarela por inteiro: nitrogênio ou magnésio
Folha velha amarela por igual aponta para falta de nitrogênio. A UF/IFAS descreve esse amarelo como uniforme, mais forte nas folhas mais velhas. Na mesma publicação, a UF/IFAS lembra que a falta de nitrogênio é rara em arbustos de jardim.
Folha velha amarela entre as nervuras aponta para falta de magnésio. A Universidade do Missouri registra que a falta de magnésio começa nas folhas mais velhas e depois sobe para as novas. A Universidade de Maryland acrescenta manchas vermelho-arroxeadas e a borda marrom.
Para a falta de nitrogênio, use adubo próprio para plantas de terra ácida na primavera e no verão. A RHS indica a metade da dose do rótulo para a azaleia de vaso. Para a falta de magnésio, a Universidade de Maryland indica o sal de Epsom (sulfato de magnésio), na dose do rótulo. O calendário do adubo está no guia de como cuidar da azaleia. Para comparar o mesmo sinal em outras espécies, o guia de folhas amarelas mostra a falta de cada nutriente pela posição da folha.
Folha amarela e murcha com a terra úmida: podridão de raiz
Folha amarela, murcha e enrolada, com a terra do vaso ainda úmida, é o sinal de raiz doente. A causa mais séria é a podridão de raiz por Phytophthora, um microrganismo da terra que ataca a raiz encharcada. A Universidade Estadual de Iowa descreve folhas caídas, enroladas, sem brilho e murchas, e diz que a doença é favorecida por terra sempre molhada.
A hora do dia em que a folha está murcha mostra se a causa é raiz doente ou falta de água. A Universidade Rutgers explica que a folha murcha pela raiz doente continua murcha de manhã cedo. A folha murcha de calor ou de terra seca se recupera durante a noite.
Para confirmar, faça dois testes:
Base do caule. Raspe um pedaço pequeno da casca do caule, rente à terra. A Universidade Estadual de Iowa descreve, na planta doente, um limite nítido entre o tecido sadio, de cor clara, e o tecido marrom e doente.
Raiz. Tire a planta do vaso e deslize uma raiz fina entre dois dedos. Segundo a UF/IFAS, na raiz podre a camada de fora sai entre os dedos e deixa só o fio branco do centro.
Se a maior parte das raízes está firme e clara, replante em terra nova para plantas de terra ácida. A Universidade Estadual de Iowa indica terra com muita casca (de pinus, por exemplo) ou areia sem calcário. Essa terra escorre melhor que a terra só de turfa. A turfa é a matéria vegetal escura da terra de vaso pronta, que segura muita água. Regue quando a superfície da terra secar ao toque, sem deixar o torrão secar por inteiro. Esvazie o pratinho logo depois de cada rega.
Se a maior parte das raízes está mole e escura, a azaleia dificilmente volta. A UF/IFAS admite um fungicida aprovado só se a doença for descoberta cedo e o excesso de água for corrigido. A Universidade Estadual de Iowa e a Universidade de Maryland dizem que fungicida não cura planta que já mostra sintoma. Como a azaleia amarela e murcha já mostra sintoma, este guia segue as duas e não indica fungicida. A Universidade Estadual de Iowa manda descartar a planta com infecção grave junto com a terra.
A azaleia de presente, que chega florida e perde folha nas primeiras semanas, tem causas próprias. São elas o torrão seco (o torrão é a terra presa às raízes) e o ar quente e seco. O guia de como cuidar da azaleia mostra como reidratar o torrão seco no balde.
Teste do galho: a azaleia ainda está viva?
Antes de podar a azaleia inteira, teste os galhos. A extensão da Universidade de New Hampshire ensina a raspar de leve a casca de fora do galho. Verde por baixo da casca indica galho vivo e com boa chance de se recuperar. Marrom por baixo indica galho morto.
Faça o teste em três ou quatro galhos, da ponta para a base. Um galho que está marrom na ponta pode estar verde mais embaixo. A mesma extensão manda cortar só os galhos que continuam sem sinal de vida quando a planta volta a brotar.
Folha pontilhada, não amarela: percevejo-de-renda e ácaro
Folha com pontinhos brancos ou amarelados por cima, como se estivesse desbotada, mostra o dano de uma praga que suga a folha pelo verso. A praga mais comum desse tipo na azaleia é o percevejo-de-renda (Stephanitis pyrioides). A UF/IFAS o descreve como um inseto de 3 a 6 mm (1/8 a 1/4 de polegada), com asas transparentes rendadas.
O percevejo-de-renda existe no Brasil. O primeiro registro no país saiu em 1997 na revista Arquivos do Instituto Biológico. A praga apareceu em azaleias de parques e jardins da cidade de São Paulo.
Para separar o percevejo-de-renda do ácaro (um bicho minúsculo de oito patas, que também suga a folha), vire a folha. A NC State Extension, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, explica que o percevejo deixa pontinhos pretos de excremento no verso. O ácaro não deixa esses pontinhos. Segundo a UF/IFAS, o ácaro deixa a folha bronzeada por cima e uma teia fina no verso. Para confirmar o ácaro, a UF/IFAS manda bater um galho sobre uma folha de papel branco e procurar pontinhos que se mexem.
O dano do percevejo começa nas folhas velhas, segundo a Universidade de Maryland. Segundo a UF/IFAS, ele é maior na azaleia que pega sol o dia todo. Para o percevejo, a UF/IFAS indica um jato forte de água no verso das folhas, que derruba os insetos. Os que ficam continuam causando dano, então repita a lavagem e confira o verso uma vez por semana.
Perguntas frequentes
Posso pôr vinagre na água de rega da azaleia?
O Jardim Botânico do Missouri indica, para a água de torneira da região de St. Louis (EUA), 1 colher de sopa de vinagre por galão de água (3,8 litros). Nenhuma outra fonte de extensão consultada recomenda o vinagre. A água de chuva, indicada pela RHS, continua sendo a opção mais segura para a azaleia de vaso.
Adubo comum serve para a azaleia com folhas amarelas?
Adubo comum não corrige o amarelo da folha nova com nervura verde, porque o problema é o pH, não a falta de adubo. Segundo a RHS, adubo em excesso também amarela a azaleia. Use adubo próprio para plantas de terra ácida, em dose leve. Contra o pH alto, use água de chuva e terra ácida.
Devo cortar as folhas amarelas da azaleia?
Não precisa. Na troca normal, a folha amarela cai sozinha. Na falta de ferro, cortar a folha amarela não resolve a causa: o que deixa a folha nova verde é baixar o pH. Corte só os galhos que derem marrom no teste do galho, e só quando a planta voltar a brotar.
Quanto tempo a azaleia leva para ficar verde de novo?
Nenhuma fonte mediu esse prazo na azaleia. O sinal de que a correção funcionou é a folha nova nascer verde. No vaso, depois de trocar a água e a terra, observe o próximo tufo de folhas na ponta dos galhos. Com ferro, a folha amarela que ainda não secou também pode reverdecer, segundo a NDSU, que mediu isso em árvores. No jardim, o enxofre leva de 3 a 6 meses para baixar o pH, segundo a Universidade do Missouri.
O primeiro passo com a sua azaleia
Comece pela folha. Folha nova amarela com nervura verde: meça o pH e troque a água por água de chuva. Folhas velhas na parte de dentro da planta, com as pontas verdes, depois da floração: espere. Folha murcha de manhã com a terra úmida: tire a planta do vaso e olhe a raiz hoje.
A azaleia com folhas amarelas no Bloom reúne outras causas, de cochonilha a mancha nas folhas, com o tratamento de cada uma. Quando o sintoma não é só amarelo, o guia o que minha planta tem organiza os sinais de qualquer vaso. Se a dúvida continuar, o diagnóstico por foto do Bloom (plano Premium, app para iPhone) compara a sua folha com os sintomas de cada causa.
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